Em Buenos
Aires, Argentina, viajamos frequentemente de trem - é a maneira mais rápida de
chegar a algum lugar. Certa noite, eu queria chegar logo à casa da minha filha,
para poder ver minha netinha. Eu estava sozinha. Uma, duas, três estações
passaram. Pessoas desembarcavam e pessoas embarcavam. Comecei a prestar atenção
aos passageiros. Alguns estavam muito bem-vestidos, enquanto outros se vestiam
de maneira mais casual. Meus olhos se deleitaram em olhar para as diferentes
cores e combinações de roupa, sapatos, bolsas e acessórios bem escolhidos.
De repente,
meus olhos se detiveram num carrinho onde estava um bebê de uns 15 meses. Suas
perninhas chutavam, as mãos incansáveis buscavam agarrar qualquer coisa que
estivesse ao seu alcance. Levantei os olhos para o rosto do bebê, e no instante
em que ia sorrir e acenar para ele à distância, vi um calombo estranho em sua
testa. Alguma excrescência anormal havia "arruinado" sua beleza.
Fingi estar
distraída, mas, com o canto do olho, pude observá-lo. O pequeno esperava, como
se quisesse ver se eu "brincaria" com ele. Naquele momento o trem
chegou à estação seguinte, e perdi de vista a mãe e a criança no meio da
multidão na plataforma.
O trem
continuou sua viagem, mas minha mente estava inquieta; uma sensação confusa me
dominou. Por que eu reagira daquela maneira? Por que não sorri para o menininho
com a protuberância na testa? Concluí que, diante de algo incomum, tentamos
ficar indiferentes.
Você já se
viu sorrindo para um gracioso bebê? Mas quantas vezes sorriu para uma idosa,
vestida com roupas velhas, para um homem a quem falta um braço, um bebê com
traços não atraentes, à mãe com uma grande cicatriz na face?
Não deixe de
sorrir para os que são diferentes. Não seja covarde, evitando o olhar deles
como se não existissem. Muitos se confinaram em apático isolamento. Derrube
esse muro! Sorria para alguém que não tem uma aparência atraente e dê-lhe a
dádiva de sua aceitação. Não hesite. Talvez seu sorriso seja o único presente
que receberão depois de muito tempo. Sorrir é um ato de bondade do qual você
nunca se envergonhará.
Nossa aula do dia 12/04, foi de flores de organza.


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